AQUI: GOTAS DE DOR




Gotas de Dor não é um livro fácil. Está longe de uma certa leveza, irrelevante e inconsequente, que pulula pelas livrarias mas também se afasta daquela literatura densa e hermética (igualmente inconsequente?) que alguns escritores perseguem como paradigma de qualidade e relevância literária. Será antes (digo eu), um romance provocatório e desafiador, assumidamente excessivo, onde não se receia procurar uma ostensiva postura de confrontação. Não estamos perante mais um exemplo de entretenimento escapista e alienante; somos, antes, convidados a mergulhar num universo literário que evoca, de forma hiper-realista, uma certa contemporaneidade feita de opostos e contradições, de escolhas e dicotomias (exemplos: pais / filhos, amor / sexo, rico / pobre, medo / coragem, loucura / sanidade, força / fraqueza, ser / parecer, personagens que têm tudo menos amor / personagens que não têm nada excepto amor). Ou seja: nada de estranho em relação a obras anteriores de Pedro Chagas Freitas, onde sempre prevaleceu um vincado espírito de incomodidade e inconformismo, uma necessidade de alertar, de prevenir, de confrontar.

(in prefácio, por Paulo Kellerman)



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A menina que está deitada nua na banheira: chama-se Andreia e está muito nervosa.

O jovem nu que lhe beija os mamilos: chama-se Filipe e também está muito nervoso.

Andreia e Filipe namoram há mais de três meses.

Ela tem dezoito anos; ele vinte e dois.

Conheceram-se na escola; a partir daí nunca mais se largaram. Depois ele ganhou finalmente coragem: pediu-a em namoro.

Ela aceitou.

São um casal feliz.

Filipe é virgem: tem vinte e dois anos mas Andreia é a primeira e única namorada que teve até hoje.

É um rapaz tímido.

Andreia não é virgem: essa é a raiz do seu nervosismo neste momento. Nunca teve coragem de dizer a Filipe que já tinha feito amor por mais de uma vez com um dos seus namorados anteriores.

Andreia não é tímida.

Agora vão dar o passo que faltava para serem completamente um do outro: sexo.

Escolheram a banheira para a primeira vez – foi assim no filme pornográfico que viram juntos.

Andreia treme por saber que não vai sangrar.

- Há muitas virgens que não sangram na primeira vez

já disse muitas vezes a Filipe.

Ele entendeu mas bem lá no fundo acredita que vai ver sangue e ter a certeza: é o primeiro homem na plenitude para a sua namorada.

Andreia sente Filipe a entrar dentro de si: lentamente, com cuidado, a penetração acontece.

Estão ambos a gemer muito, a gemer alto, camuflados pelo barulho da água a correr.

Ainda não há sinais de sangue.

Filipe começa a ficar preocupado mas para já prefere concentrar-se somente no prazer.

De repente: a água começa a ficar vermelha.

- Estás a sangrar, amor

diz-lhe ele – aliviado.

Andreia chora: não entende de onde veio o sangue; quer acreditar que a realidade e o exterior estão apenas a retratar o que se passa por dentro.

- No coração, no amor como tem de ser, era virgem até te conhecer

pensa sem dizer.

Dois minutos depois: Filipe chega ao orgasmo.

Tira o sexo de dentro de Andreia (como também viu no filme); grita bem alto.

Abraçam-se; dizem em uníssono

- Amo-te.

Na casa de banho do apartamento imediatamente ao lado: uma mulher passa por água uma ferida profunda que fizera no dedo – e fica surpreendida quando vê sair pelo ralo do lavatório um líquido branco, denso, espesso: muito parecido com sémen.



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É uma das 10 obras que lançarei muito brevemente – em edição limitada e autografada.

Para reservar, desde já, um exemplar de ”Gotas de Dor", envie e-mail com título da obra, nome e morada para

fabricadeescrita@gmail.com


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