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Cybercentro encheu na apresentação do livro “O Evangelho da Alucinação”

Perante a principal sala do Cybercentro de Guimarães completamente repleta, com muita gente a ter de assistir de pé, Pedro Chagas Freitas apresentou o seu segundo livro de ficção, o “Evangelho da Alucinação”, uma publicação com a chancela da Corpos Editora.
Teixeira Moita, escritor e dramaturgo traduzido para várias línguas, foi o apresentador da obra, e começou por apresentar o autor. “O Pedro Chagas Freitas é especial. Desde os primeiros contactos com ele percebi que estava perante alguém com um enorme talento e com um dom verdadeiramente singular.” Focalizando, de seguida, a atenção na obra mais em específico, o dramaturgo defendeu que “‘O Evangelho da Alucinação’ é uma obra extraordinária. É uma obra que vai mudar a literatura portuguesa. Pode até nem ser de imediato, mas de certeza que, mais cedo ou mais tarde, vai ser vista como algo de realmente revolucionário e passará a ser, porque é sempre assim que acontece com o acto de criação, uma obra que influenciará muitos escritores ao longo dos próximos anos.”
E sustentou o porquê de afirmar o que havia afirmado. “A forma como o Pedro Chagas Freitas escreve este livro é diferente. Ao lermos esta obra não sabemos se estamos a ler prosa se estamos a ler poesia. E no entanto ficamos presos, seduzidos, esmagados. É algo de verdadeiramente único, inovador. É literatura da mais alta qualidade escrita de uma forma singular. O Pedro consegue juntar uma reinvenção da escrita, do estilo da escrita, sem perder de vista o conteúdo das suas palavras. Este é um livro denso e terrivelmente profundo. E que ainda assim se consegue, se houver uma enorme dose de concentração, perceber bem.”
A finalizar, Teixeira Moita revelou a sua lisonja. “É uma honra para mim estar aqui a apresentar esta obra. Sinto-me orgulhoso por estar presente num momento de tamanha importância para a literatura nacional.”
Pedro Chagas Freitas, por sua vez, começou por agradecer a presença de Teixeira Moita e as suas palavras, revelando, de seguida, a sua enorme felicidade. “Estou feliz porque consegui reunir aqui hoje, no mesmo espaço físico, os meus dois mundos: o mundo das letras, onde passo grande parte da minha vida, materializado nesta obra que hoje estamos aqui para apresentar; e o mundo real, o mundo das pessoas, o mundo físico. E no fundo é isso o mundo em termos globais: a soma de todos os pequenos mundos de cada um de nós.”
De seguida, o escritor, de 26 anos de idade, teceu algumas considerações acerca da obra. “ Não é uma obra fácil. Este livro não é para ser lido na praia ou nos transportes públicos. É um livro que exige concentração, que exige releitura, que exige abstracção, que exige, no fundo, alucinação. Mas uma alucinação racional, passe o paradoxo, uma alucinação que tire o leitor de si por momentos para de seguida o devolver a si mesmo, ao seu Eu, de uma forma mais profunda. Este é o último dos meus livros leves. E quando digo leves refiro-me somente à sua dimensão, ao seu número de páginas. É hora de publicar textos mais longos, textos que tenham a minha voz mais alargada. Mas, como último dos leves, tem já alguns vestígios dos pesados que se avizinham. E o maior desses vestígios é seguramente o molde textual, a estruturação estilística, que eu poderia denominar de “Guião reflexivo”, isto é, um texto que consiga mesclar a acção, própria de um guião, com a teorização, própria de um texto de cariz mais filosófico. Porque é isso a vida: uma mescla de acção com reflexão. Todos agimos e reflectimos sobre a acção, e essa reflexão tanto pode ocorrer pré-acção como pós-acção. E a literatura é vida.”
Para finalizar, Pedro Chagas Freitas aproveitou a ocasião para confessar uma novidade. “Aproveito esta ocasião para revelar que tenho, desde há cerca de três semanas, uma representante, a Lídia Silva, que espero que venha a ser também uma amiga, e que acredito que possa ser competente para fazer aquilo em que eu sou manifestamente incapaz: ser relações públicas de mim mesmo. A Lídia vai ser a ponte entre o meu mundo interior, onde escrevo, e o mundo exterior.”