In jornal "GlobalMinho & Porto"“Este livro vai mudar a literatura portuguesa”
Na sessão de lançamento de “O Evangelho da Alucinação”, a segunda obra de ficção de Pedro Chagas Freitas, Teixeira Moita, escritor e dramaturgo, mostrou-se honrado por estar presente no lançamento de uma obra que, na sua opinião, vai mudar a literatura portuguesa.
Pedro Chagas Freitas apresentou, no passado Sábado, pelas 18:30 horas, a sua segunda obra de ficção, intitulada “O Evangelho da Alucinação”. Depois de ter publicado “Mata-me”, uma obra que foi muito bem acolhida pelo público em geral e pela crítica literária em particular, recebendo mesmo a honra de uma recensão extremamente positiva nas páginas do jornal “Expresso”, Pedro Chagas Freitas apresenta, desta feita, uma obra completamente fora dos cânones tradicionais, uma espécie de microdicionário.
Perante uma sala de grandes dimensões completamente cheia (muita gente teve mesmo de ficar de pé), o que só vem provar que a cultura também tem público, Teixeira Moita, escritor e dramaturgo traduzido para diversas línguas, defendeu que “”’O Evangelho da Alucinação’ é uma obra extraordinária. É uma obra que vai mudar a literatura portuguesa. Pode até nem ser de imediato, mas de certeza que, mais cedo ou mais tarde, vai ser vista como algo de realmente revolucionário e passará a ser, porque é sempre assim que acontece com o acto de criação, uma obra que influenciará muitos escritores ao longo dos próximos anos.” Para justificar as suas afirmações, Teixeira Moita encontra diversos factores. “A forma como o Pedro Chagas Freitas escreve este livro é diferente. Ao lermos esta obra não sabemos se estamos a ler prosa se estamos a ler poesia. E no entanto ficamos presos, seduzidos, esmagados. É algo de verdadeiramente único, inovador. É literatura da mais alta qualidade escrita de uma forma singular. O Pedro consegue juntar uma reinvenção da escrita, do estilo da escrita, sem perder de vista o conteúdo das suas palavras. Este é um livro denso e terrivelmente profundo. E que ainda assim se consegue, se houver uma enorme dose de concentração, perceber bem.” Por tudo isso, o dramaturgo não escondeu a sua enorme satisfação por poder tomar parte de um evento de tamanha importância. “É uma honra para mim estar aqui a apresentar esta obra. Sinto-me orgulhoso por estar presente num momento de tamanha importância para a literatura nacional.”
O Guião Reflexivo
Pedro Chagas Freitas, o autor da obra, teceu também algumas considerações sobre a mesma, começando por afirmar que “’O Evangelho da Alucinação’ não é uma obra fácil. Este livro não é para ser lido na praia ou nos transportes públicos. É um livro que exige concentração, que exige releitura, que exige abstracção, que exige, no fundo, alucinação. Mas uma alucinação racional, passe o paradoxo, uma alucinação que tire o leitor de si por momentos para de seguida o devolver a si mesmo, ao seu Eu, de uma forma mais profunda. Este é o último dos meus livros leves. E quando digo leves refiro-me somente à sua dimensão, ao seu número de páginas. É hora de publicar textos mais longos, textos que tenham a minha voz mais alargada. Mas, como último dos leves, tem já alguns vestígios dos pesados que se avizinham. E o maior desses vestígios é seguramente o molde textual, a estruturação estilística, que eu poderia denominar de “Guião reflexivo”, isto é, um texto que consiga mesclar a acção, própria de um guião, com a teorização, própria de um texto de cariz mais filosófico. Porque é isso a vida: uma mescla de acção com reflexão. Todos agimos e reflectimos sobre a acção, e essa reflexão tanto pode ocorrer pré-acção como pós-acção. E a literatura é vida.”
A novidade
Aproveitando a ocasião, o autor divulgou também uma novidade. “Tenho, desde há cerca de três semanas, uma representante, a Lídia Silva, que espero que venha a ser também uma amiga, e que acredito que possa ser competente para fazer aquilo em que eu sou manifestamente incapaz: ser relações públicas de mim mesmo. A Lídia vai ser a ponte entre o meu mundo interior, onde escrevo, e o mundo exterior.”