"um dia, daqui a muitos anos, o mundo será um local mais de morte que de vida, daqui a muitos anos haverá mais cemitérios que cidades, daqui a muitos anos serão as cidades a serem espaços reservados com grades à volta dentro dos cemitérios, os cemitérios serão mais que as cidades, as cidades estarão dentro dos cemitérios, com as suas pessoas em movimento, a trabalhar, a correr, a suar, a sofrer, a rir, a chorar, a viver, e os cemitérios, e as pessoas mortas, os mortos, vão ser mais que os vivos, e então os vivos não poderão ser dominadores do mundo, os vivos serão visitados aqui e ali pelos mortos, em dias especiais, e irão receber à porta das suas casas ramos de flores e rezas que os mortos trarão das suas cidades, das cidades onde dominam, das cidades onde vivem uma morte descansada (...)Mais uma vez estou a ser visionária, é isso, visionária, só eu estou a perceber que quem vai acabar por vencer a batalha dos mundos são os mortos, pela simples e matemática razão de que a morte é o fim e a vida é o começo, e quando se acaba acaba-se no fim e nunca no começo."In "Mata-me"