
In "Expresso do Ave"
"O jornalista Pedro Chagas Freitas lançou no Cybercentro de Guimarães o seu primeiro romance intitulado “Mata-me”, uma publicação com a chancela da Corpos Editora. A sessão de apresentação da obra, que esteve a cargo do escritor e crítico literário Fernando Venâncio, contou com uma sala repleta. “’Mata-me’ está espalhado pelo livro. O título só podia ser este. Trata-se de uma obra com uma escrita densa e fluente e uma linguagem tremendamente comunicativa. Não é nada de difícil ou artificial”, catalogou o crítico do jornal “Expresso”.
Sobre o livro de Pedro Chagas Freitas, Fernando Venâncio foi claro: “Poucos escritores tiveram a coragem de se estrearem com um livro como este. O Pedro entra de repelão pela literatura e espera do seu leitor um razoável poder de encaixe. Quase se diria que o livro poderia dizer na capa: ‘contém cenas eventualmente chocantes’. E digo quase porque o livro só tem cenas seguramente chocantes”, alertou, entre sorrisos na plateia.De acordo com Fernando Venâncio, este é um “produto sério e, a todos os títulos, profissional”. “Esta história é contada por um idoso. Não lhe sabemos outro nome que não “eu”. O “eu” está sempre presente e é actuante. A sua acção é sofrer. E neste caso faz sofrer Maria, a única personagem de quem sabemos o nome. De resto, entra na história a ‘minha mãe’, o ‘meu pai’ e a menina paralítica, que acaba por ser a personagem mais feliz ou a menos infeliz. Ele decide viver só para destruir”, adiantou, detalhando em seguida o seu discurso:“O ‘eu’ está nas mãos da menina paralítica. Nesta história, o fim é realmente um fim: para todos e para tudo. E para esse fim há que caminhar sem um recuo, sem uma hesitação, sem uma esperança, sem um alívio. Há um destino trágico a cumprir e, como nas tragédias gregas ou neo-clássicas, tudo e todos conjuram para que esse fim trágico se cumpra. Nesse sentido, o Pedro estreia-se como um clássico. Toda a arquitectura da narrativa entra como os clássicos, entra na conspiração”.
Sem se deter, Fernando Venâncio acrescentou: “Não vos admirará que este livro escorre de sadismo e de masoquismo. Não vos admirará que eu tenha visto no livro um grito surdo, interminável, como o do norueguês Edward Munch no célebre quadro ‘O Grito’. Não vos admirará que eu tenha pensado, logo na primeira página, em Raul Brandão, o mestre da maldição universal e das perspectivas bloqueadas à nascença. Eu tinha perguntado ao Pedro se tinha lido Raul Brandão. Ele disse que não. Eu cheguei à conclusão de que isto é, afinal, uma doença que se pega”. Na opinião do crítico literário, “Mata-me” é um “livro duro” para ler com “um copo de vinho à mão e música tranquilizante. E para reler”, acrescentou. “E ao relê-lo, é toda a arquitectura engenhosa e matreira que se nos torna, finalmente, visível. Então se verá, em toda a sua extensão, a inteligente e mágica criação que o Pedro Chagas Freitas acaba de fazer”.
O autor, no uso da palavra, começou por endereçar alguns agradecimentos. “Não posso deixar de relevar a presença do Fernando Venâncio nesta sessão de apresentação. É uma honra enorme tê-lo aqui. É um sonho que se torna realidade. Ouvir comentar um livro que escrevi chega a ser, de facto, arrepiante! Gostava de agradecer, também, aos meus pais que desde cedo me incutiram os valores da vida; e à pessoa que me ensinou a ler e a escrever no ensino primário: a Professora Deolinda. Numa fase mais evoluída da minha escrita, não posso esquecer a professora Fátima Marques. Foi na disciplina de Comunicação e Difusão que dei os primeiros passos em termos de escrita criativa e de reflexão escrita”. Pedro Chagas Freitas destacou ainda o nome de António Simões, jornalista de “A Bola”, por lhe ter permitido “evoluir na escrita”. “Além de tudo, gostaria de enfatizar o apoio da minha companheira (Ângela), que é igualmente o meu refúgio e que me concedeu um equilíbrio que até então nunca tinha sentido”.Analisando a obra, Pedro Chagas Freitas revelou que o livro demorou “um mês” a ser escrito. “Tenho um processo de escrita rápido”, explicou, a propósito, afirmando que o “jornalismo foi uma ferramenta fundamental na forma de trabalhar a escrita”. Sobre a publicação ora apresentada, Pedro Chagas Freitas confidenciou que se trata de um livro que “foi escrito a lágrimas”. “Se custar tanto a ler como custou a escrever, é um livro doloroso. Gostava que as pessoas que lessem o livro procurassem a esperança em cada linha e em cada página”, sugeriu o autor de 25 anos. "